
No estágio, mais cedo ou mais tarde, alguém vai pedir: "dá uma olhada no pirômetro da zona 3". Se você imaginar uma pistola infravermelha, vai procurar o instrumento errado. Na fábrica, essa frase quase sempre fala do aparelho de painel que mostra a temperatura e comanda a resistência.
A medição de temperatura aparece em quase todo curso técnico de eletrotécnica, mecatrônica e automação. Este texto organiza o que vale levar da sala de aula para o chão de fábrica: os dois sentidos da palavra pirômetro, os dois sensores de contato mais comuns e os erros que aparecem na prática.
| | Pirômetro infravermelho | Pirômetro de painel | |---|---|---| | Como mede | lê a radiação térmica da superfície, sem tocar | recebe o sinal de um termopar ou PT100 | | Onde fica | na mão de quem mede, ou fixo e apontado para a peça | no recorte do painel da máquina | | Para que serve | conferir de fora: ronda, peça em movimento, ponto muito quente | trabalhar: indicar, controlar ou proteger |
No sentido estrito, pirômetro é o medidor sem contato. No uso brasileiro, a palavra vale também para o indicador ou o controlador de painel. Saber disso evita a primeira confusão do estágio.
Todo corpo aquecido emite radiação térmica. O infravermelho capta essa radiação com uma lente e um detector e calcula a temperatura da superfície. Três fatores mudam o resultado:
E ele lê só a superfície. Não diz a temperatura do ar dentro da estufa nem do miolo da peça.
O pirômetro de painel depende de um sensor de contato instalado no processo.
O instrumento converte esse sinal em graus. Num West 6100+, por exemplo, são 4 leituras por segundo, com exatidão de ±0,1% da faixa de entrada, mais ou menos 1 dígito, segundo o datasheet do fabricante. Ele aceita termopares J, K, C, R, S, T, B, L, N e PtRh20% x PtRh40%, além de PT100 a 3 fios.
Um erro clássico de aula prática: o tipo configurado no menu precisa ser o do sensor. Termopar K com o menu em J dá leitura errada, e o display não avisa.
Antes da prova prática, revise como o pirômetro de painel se divide pela função, porque cada tipo faz um trabalho diferente na máquina:
Guarde esta regra: indicador com alarme não é limitador. Para corte de segurança, o caminho é um limitador independente, com sensor e relé próprios.
Outro ponto que costuma cair em avaliação: o que acontece quando o termopar rompe. No 6100+ e no N2300, o aparelho detecta o sensor aberto em menos de 2 segundos e desliga as saídas de controle, segundo os datasheets.
Na prática, você vai apontar a pistola para a parede da estufa e ver um número diferente do painel. Nem sempre um dos dois está errado. A pistola lê a superfície, com a emissividade ajustada nela. O termopar lê a ponta dele, no ar ou dentro da peça.
Para saber se o painel está certo, compare com uma referência de contato calibrada, no mesmo ponto do sensor. Segundo a West, o controlador sai calibrado de fábrica, mas o conjunto não: o sensor, a posição dele e o cabo somam erro. Ajustar o painel pela pistola costuma trocar um erro por outro.
Os dois medem temperatura. Em sentido estrito, pirômetro é o medidor sem contato. Na fábrica, a palavra também vale para o instrumento de painel com termopar ou PT100.
Os dois. O termopar gera tensão; o PT100 muda de resistência. Entender essa diferença ajuda a ler o datasheet e a configurar o menu do instrumento.
A pistola mede e mostra; não liga nem desliga a resistência. Quem controla é o pirômetro de painel, na versão controlador.
Fame Treinamentos, 2026.