
Poucas ferramentas da educação atravessaram tanto tempo com tanta influência. Em 1956, um grupo de pesquisadores coordenado pelo psicólogo educacional Benjamin Bloom, da Universidade de Chicago, publicou a Taxonomia dos Objetivos Educacionais, com o primeiro volume dedicado ao domínio cognitivo. Setenta anos depois, a taxonomia de Bloom continua presente em planos de aula, cursos corporativos e programas de formação profissional, quase sempre como apoio para uma tarefa aparentemente simples: escrever o que o aluno deve ser capaz de fazer ao final.
A proposta nasceu de um problema prático. Examinadores de diferentes universidades norte-americanas queriam uma linguagem comum para descrever objetivos de aprendizagem e elaborar avaliações comparáveis. Bloom trabalhou com colaboradores como Max Engelhart, Edward Furst, Walter Hill e David Krathwohl para organizar esses objetivos em uma classificação hierárquica.
A versão de 1956 dividia o domínio cognitivo em seis categorias, das mais simples às mais complexas: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação. A ideia central era que cada nível pressupõe, em alguma medida, os anteriores. Para analisar um problema, é preciso primeiro compreender os conceitos envolvidos; para compreendê-los, é preciso conhecê-los.
Em 2001, uma equipe liderada por Lorin Anderson, ex-aluno de Bloom, e pelo próprio David Krathwohl publicou uma revisão da taxonomia. As mudanças mais visíveis foram duas. Os nomes das categorias passaram de substantivos para verbos, o que facilita a redação de objetivos. E a ordem do topo foi alterada: criar passou a ser o nível mais alto, acima de avaliar.
Os seis níveis da versão revisada ficaram assim:
A revisão também acrescentou uma segunda dimensão, a do tipo de conhecimento envolvido: factual, conceitual, procedimental e metacognitivo.
A aplicação mais prática da taxonomia está na redação dos objetivos de um curso. Um objetivo bem escrito começa com um verbo observável ligado ao nível pretendido e descreve o que o participante fará. Compare:
A escolha do nível tem consequência direta. Se o objetivo é aplicar, o curso precisa ter prática; uma aula expositiva seguida de prova de múltipla escolha só mede lembrança. A taxonomia ajuda a alinhar três coisas que muitas vezes andam separadas: o objetivo, a atividade e a avaliação.
A taxonomia não é imune a críticas. Pesquisadores apontam que a hierarquia nem sempre é rígida na prática: é possível criar algo sem ter analisado tudo antes, e atividades reais misturam vários níveis ao mesmo tempo. Outra crítica frequente é o uso mecânico das listas de verbos, como se trocar "conhecer" por "identificar" garantisse um objetivo melhor.
O uso mais produtivo é tratá-la como um mapa, e não como uma escada obrigatória. Ela lembra ao planejador que um curso restrito aos níveis mais baixos dificilmente prepara alguém para decidir e resolver problemas no trabalho.
Setenta anos depois da publicação original, a taxonomia de Bloom segue útil porque responde a uma pergunta que todo curso precisa enfrentar: o que exatamente o participante deve saber fazer ao sair? Em tempos de cursos curtos, trilhas on-line e treinamentos sob medida, ter essa resposta clara é o que diferencia uma formação que muda o trabalho de uma que apenas ocupa a agenda.
Na revisão de 2001, os seis níveis são lembrar, entender, aplicar, analisar, avaliar e criar. Eles vão das habilidades cognitivas mais simples às mais complexas.
A revisão trocou os nomes das categorias por verbos, colocou criar no topo no lugar de síntese e acrescentou a dimensão do tipo de conhecimento. A lógica de progressão entre níveis foi mantida.
Sim. Ela ajuda a escrever objetivos com verbos observáveis e a escolher atividades e avaliações coerentes com o nível pretendido, evitando cursos que prometem aplicação mas só cobram memorização.
Fame Treinamentos, 2026.